O Guia Completo de Ciclismo de Montanha da Abra Málaga

Tudo o que você precisa saber antes de encaixar os pés nos pedais.

A descida de mountain bike do Passo Abra Málaga é a atividade que a maioria das pessoas que percorrem a Rota da Selva Inca comentam primeiro ao retornar a Cusco. Não por ser o desafio técnico mais difícil que já enfrentaram de bicicleta, mas porque a combinação do cenário, da magnitude e da natureza constante de 65 quilômetros de descida por uma das transições de paisagem mais dramáticas da América do Sul cria uma experiência difícil de explicar para quem nunca a vivenciou. Este guia oferece uma visão completa do que esperar antes, durante e depois da descida.

O PERCURSO EM DETALHES

A descida começa no Passo Abra Málaga, situado a 4.350 metros de altitude, na divisória de águas entre o Vale Sagrado e a bacia hidrográfica do Alto Amazonas. O passo é alcançado de carro particular a partir de Cusco em aproximadamente duas horas, subindo pelo Vale Sagrado e passando pelos pântanos de altitude do planalto de Chinchaycocha, onde vicunhas pastam à beira de lagos glaciais e a imensidão da paisagem andina já impressiona antes mesmo de se subir numa bicicleta.

Na passagem, o ar é frio e rarefeito. A temperatura normalmente fica entre 5 e 10 graus Celsius no início da descida, caindo ainda mais nas manhãs ventosas, quando as rajadas sopram pela brecha na crista da montanha. Em dias claros, a vista da passagem se estende ao norte em direção aos campos de neve da Serra de Urubamba e ao sul, descendo o vale em direção aos terraços agrícolas do Vale Sagrado. Este é o ponto mais alto de toda a Rota Inca na Selva e, para muitos viajantes, é onde a dimensão do que os aguarda nos próximos quatro dias se torna real pela primeira vez.

Os primeiros 15 quilômetros da descida percorrem campos abertos andinos e encostas rochosas em uma estrada asfaltada bem conservada. A inclinação é constante e as vistas são deslumbrantes. É aqui que a maioria dos ciclistas encontra seu ritmo e onde o frio inicial da subida dá lugar ao calor aeróbico de descer em alta velocidade. O veículo de apoio segue o grupo durante toda a descida, o que significa que, se algo der errado, seja mecanicamente ou fisicamente, a assistência chega em minutos, e não em horas.

Entre os quilômetros 15 e 35, a estrada entra na zona de transição da floresta nublada, onde as primeiras árvores aparecem nas margens e a temperatura começa a subir consideravelmente. A vegetação é inicialmente esparsa e moldada pelo vento, com espécies típicas de altitude que crescem no limite superior da floresta nublada, e torna-se progressivamente mais densa e tropical a cada quilômetro de descida. Por volta do quilômetro 25, a estrada está ladeada por samambaias arbóreas e bromélias, e o ar tem a umidade terrosa característica do ambiente da floresta nublada.

O trecho intermediário da descida, entre aproximadamente 30 e 50 quilômetros, é onde o passeio se torna mais prazeroso. A inclinação é constante, o asfalto está em boas condições, a vegetação é densa em ambos os lados e a temperatura é amena o suficiente para que a jaqueta usada no início da descida possa ser amarrada na cintura, permitindo que a experiência completa de descer por um ambiente montanhoso tropical seja vivenciada em todos os seus detalhes sensoriais. Este também é o trecho onde a maioria dos grupos para para tirar fotos, o que é perfeitamente compreensível, considerando a paisagem ao redor.

Os últimos 15 quilômetros descem até o alto vale do Urubamba e a paisagem agrícola ao redor de Santa María. A vegetação muda de floresta nublada para uma mistura de vegetação secundária e plantações, incluindo café, abacate e coca. A estrada se alarga um pouco e a cidade começa a aparecer no vale abaixo. A chegada a Santa María, a 1.500 metros de altitude e com temperatura de 25 graus ou mais, depois de começar o dia a 4.350 metros com vento frio, é uma das transições físicas mais gratificantes que a maioria dos viajantes já experimentou.

O EQUIPAMENTO

As bicicletas de montanha utilizadas na descida da Selva Inca são bicicletas rígidas com suspensão dianteira. Não são máquinas de alta performance, mas são adequadas ao tipo de terreno e às exigências da descida, estão bem conservadas e são inspecionadas antes de cada partida. Caso tenha preferência por um tipo específico de bicicleta ou componente, um passeio privado pode ser organizado com equipamento de alta qualidade.

Todos os ciclistas recebem um capacete do tamanho correto, luvas, joelheiras e cotoveleiras. O guia garante que todo o equipamento esteja ajustado corretamente antes da partida do grupo. O veículo de apoio transporta bicicletas extras, peças de reposição e um mecânico de bicicletas que pode resolver qualquer problema mecânico que surja durante a descida.

DICAS PRÁTICAS

Chegue ao passo vestido para 5 graus Celsius. Uma jaqueta corta-vento, luvas e uma camada base quente são essenciais para a primeira hora da descida. Ao chegar à zona da floresta nublada, você já terá tirado a maioria dessas peças, mas começar com frio e ir tirando camadas à medida que a temperatura sobe é significativamente mais confortável do que começar com roupas insuficientes e passar os primeiros 20 quilômetros sem sentir os dedos.

Ajuste a altura do selim antes de sair do estacionamento na serra. Seu guia fará isso para você, mas se o selim estiver na altura errada para o comprimento das suas pernas, você sentirá o desconforto nos joelhos na metade do caminho. Alguns minutos de ajuste no início evitam um desconforto considerável mais tarde.

Mantenha o peso sobre a bicicleta durante os trechos mais íngremes. O instinto natural em uma descida é inclinar-se para a frente, o que desloca o peso para a roda dianteira e reduz o controle. Seu guia demonstrará a posição correta do corpo antes do início da descida e lembrará o grupo disso no começo de qualquer trecho mais íngreme.

Controle seu ritmo na parte superior e aprecie a vista na parte inferior. Muitos ciclistas forçam o ritmo no topo, quando a adrenalina está alta, e chegam à seção da floresta nublada tão cansados que não conseguem apreciar o que os rodeia. A parte superior serve para percorrer longas distâncias. A seção da floresta nublada serve para vivenciar o lugar onde você está.

PERGUNTAS FREQUENTES ESPECÍFICAS SOBRE A DESCIDA DE BICICLETA

E se eu não andar de bicicleta há vários anos? Isso é mais comum do que você imagina e não representa um problema para a descida. O asfalto está em boas condições, a inclinação é administrável e o guia define um ritmo que se adapta a todos os níveis de confiança no ciclismo. Uma breve sessão de prática no estacionamento da serra, antes da partida do grupo, ajuda quem quiser se readaptar à bicicleta antes do início da descida.

E se estiver chovendo no topo do passo? Chuvas leves a moderadas não impedem a descida. O asfalto comporta-se bem em condições de chuva e o guia ajusta o ritmo de acordo. Chuvas fortes ou condições que o guia considere inseguras farão com que o grupo inicie a descida de um ponto mais baixo, onde o tempo esteja melhor, o que acontece raramente, mas acontece. A segurança é o único fator nessa decisão.

Posso trazer minha própria bicicleta? Sim, em um passeio privado, onde a logística pode ser organizada para transportar uma bicicleta pessoal. Em passeios em grupo padrão, as bicicletas fornecidas são utilizadas.